artigos publicados
home » artigos » Sexualidade Feminina» Os brinquedos e as brincadeiras
Voltar
Os brinquedos e as brincadeiras

 

 

A  separação dos brinquedos e brincadeiras.

É evidente que causa várias influências no psiquismo feminino, mas antes quero abrir mais uma observação sobre o problema do controle nas meninas. Todo aquele controle, do qual falávamos, vai aos poucos sendo "impresso" na mente feminina em desenvolvimento. Para cada censura, a menina acaba criando uma resposta defensiva a nível corporal, ou melhor, cria uma tensão localizada.

Por exemplo: no caso de sentar-se e ter que manter as pernas fechadas, ela tem que criar uma tensão localizada na área genital, isto por que para a criança em desenvolvimento é bastante difícil controlar seu corpinho.


Portanto, ela precisa tensionar certos grupos musculares para manter tal postura. Para que possamos melhor sentir o fato, basta que nos sentemos e exerçamos força para juntar os joelhos ou para manter as pernas cruzadas. Vamos então verificar que nossa área genial fica pressionada ou constrita e, portanto mais perceptível.

No caso da criança, com este controle ela também vai tornar sua região genital mais sensível e portanto sujeita a maiores respostas com pouco estimulo. Disto deriva o interesse em certas crianças na manipulação dos genitais e também a coloca exposta a um maior número de proibições ("tire a mão daí", e outras já citadas) e com tais proibições surge maior curiosidade e um maior interesse em relação aos genitais.

Esta situação acaba por se tornar cíclica: censura / tensão / estímulo / proibição = maior interesse = maior censura, e assim por diante. Todos sabemos que existe sempre certo interesse em relação às coisas proibidas e o que citamos acaba por ser uma forma de reforço para que a criança se manipule às escondidas, o que vai causar vários reflexos na sexualidade adulta os quais abordaremos em ocasião oportuna.

Agora, quanto à quetão, posso afirmar que a separação de "brinquedo de menino" e "brinquedo de menina" é um tanto negativa e, causa influências não só no psiquismo da menina como também no do menino.

Vejamos o fato de se atribuir à menina as brincadeiras com bonecas, casinhas, fogõezinhos, roupinhas, etc. Isto é fruto de uma mentalidade um tanto antiquada, onde o interêsse do "grupo" era adequar ou preparar a mulher para assumir o papel de mãe, para cuidar dos filhos, da casa, isto porque para este " grupo ", a mulher era assim como um " objeto " que tinha uma determinada função, atribuída sempre de acôrdo com as necessidades, " não dela ", e sim do grupo.

Tais funções, é evidente, colocavam a mulher em uma posição de inferioridade e cercavam todos os seus potenciais criativos, sempre em acôrdo com as necessidades do grupo.

O fato de uma menina brincar com " coisas de menino " (bola, luta, e outros) não vai de modo algum reduzir ou interferir em sua feminilidade pois ela é inata e, portanto tais proibições, os " não pode ", " não faça ", são sinais ainda restantes deste interêsse do grupo citado e, que refletem em nosso meio gerando uma sociedade machista e patriarcal, onde se pretende a todo custo manter a mulher em uma posição de inferioridade.

Se as mulheres (mães) se conscientizarem destes fatos, pois mesmo elas auxiliam nesta separação, devido à importância da mulher (mães) na educação de outras futuras mulheres, é evidente que conseguiremos uma sociedade menos conflitiva e sem a necessidade da mulher (feminista) ter que lutar por uma melhor posição na sociedade, uma posição que quase sempre é confundida com o papel do homem.

O que vemos é a mulher muitas vezes lutando para ocupar o lugar do homem, como se ela ocupando tal lugar as coisas fossem mudar. É pena porque nesta luta a mulher acaba se masculinizando e isto evidentemente não é necessário pois, ela pode melhorar sua condição social sem reduzir ou modificar sua posição feminina. Tanto a mulher como o homem têm um lugar no espaço social e podem ser nivelados ou igualados sem interferir na sexualidade. Para a mulher basta que ela consiga entender o seu "SER ", sua "SEXUALIDADE ", sua "PERSONALIDADE", seu "CORPO", coisas que muitas mulheres desconhecem, ou melhor, estão um tanto afastadas de sua realidade.