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Doenças Sexualmente Transmissíveis

Introdução

 

O que são DST ?

DST é uma sigla que quer dizer Doenças Sexualmente Transmissíveis. São doenças causadas por vários tipos de micróbios, bichinhos microscópicos que vivem nos órgãos genitais (no pênis, ânus, vulva e vagina) das pessoas contaminadas. Quase sempre pegamos essas doenças nas relações sexuais com alguém que já se contaminou. Antigamente eram conhecidas como doenças venéreas, de Vênus (doenças do amor). Existem desde muito tempo atrás, mesmo na Bíblia há relatos sobre elas. Infelizmente, elas vêm aumentando em todo o mundo.

Quem pode pegar uma dessas doenças ?

Se você respondeu qualquer pessoa, parabéns! Qualquer pessoa que teve ou tem algum tipo de contato sexual sem camisinha (anal, vaginal ou oral) com alguém que se contaminou, pode ter uma DST. Qualquer pessoa por mais limpa, cheirosa, de “família” ou saudável que seja, pode ter se contaminado com uma DST sem saber. Muitas vezes as DST não apresentam sintomas, portanto qualquer um pode estar contaminado com uma DST e não saber. Existem muitos tabus em torno deste tema, muitas pessoas se sentem “sujas” e com vergonha de estarem com uma DST, não buscam tratamento ou se automedicam (tomam medicamento por conta própria), não avisam seus parceiros sexuais e por isso as doenças se alastram e pioram.

Como posso saber se tenho uma DST ?

Se você tiver pequenas feridas, verrugas ou corrimento, no ânus, na vulva, ou no pênis. Se você tiver coceira, dor, ou ardor nestes lugares, seja durante ou após a relação sexual, ou quando fizer xixi: preste atenção, qualquer um desses sintomas podem indicar que você está com uma DST. Porém, muitas pessoas estão doentes e não sentem nada, ou têm sinais pouco específicos. Visitas periódicas anuais ao médico podem dizer como vai a sua saúde. Mais importante do que saber o nome das doenças e seus sintomas principais é conhecer o próprio corpo, aprender a se observar, a se tocar, a se examinar e perceber as mudanças que acontecem. Notando algo estranho, temos que perder a vergonha, não adiar e procurar o serviço de saúde. Lembre-se de que a maioria dessas doenças são tratáveis, curáveis e quanto mais cedo diagnosticadas melhor. Isto vale para os homens e mulheres! Existem serviços públicos gratuitos que atendem adolescentes e que tratam DST.

Estas doenças são graves ?

Não é preciso ficar assustado, a maioria das DST são curáveis. Mas se não forem tratadas adequadamente podem ficar graves, atingindo outras partes do corpo. Muitas pessoas, às vezes por vergonha, tratam as DST na farmácia, onde
não são bem diagnosticadas e se complicam. Os médicos estão muito mais preparados para tratar as DST e não podem fazer nenhum julgamento sobre sua vida, preferência ou prática sexual.


Como se prevenir as DST

A maior parte das DST pode ser prevenida com hábitos muito simples. O uso freqüente e correto da camisinha já é um ótimo começo , mais não é a única medida que se pode ter .Uma vida sexual saudável , com um parceiro fixo e o acompanhamento médico especializado reduz o risco de se contrair alguma DST .

Evitar o uso de drogas também é uma boa medida . O índice de contágio entre os usuários de drogas injetáveis é muito alto ( doenças como a AIDS podem ser transmitidas pelo sangue ) . Entre os usuários de drogas não injetáveis (como a maconha , por exemplo), as alterações comportamentais causadas por elas diminuem o discernimento e , a pessoa pode acabar tendo relações sexuais sem o uso do preservativo .

A prática sexual é uma atividade muito íntima e que vem revestida de muita responsabilidade. É importantíssimo lembrar que foi do ato sexual que nós, um dia , nascemos . Conhecer o próprio corpo e o corpo da(o) parceira(o) é uma forma legal de aumentar o prazer do ato sexual e criar maiores laços afetivos entre o casal.

Herpes

 

O que é herpes genital?

O herpes genital é uma das DST mais comuns. O contágio se dá nas relações sexuais desprotegidas (quando não se usa a camisinha). O herpes começa com uma coceira, seguida de ardor nos órgãos genitais; depois aparecem pequenas bolhas, que estouram e se transformam em feridinhas, que doem bastante e demoram de 10 a 15 dias para desaparecerem sozinhas. Somem e, depois de algum um tempo, que varia de pessoa para pessoa, voltam novamente, principalmente se a pessoa passar por um desgaste emocional ou físico, dormindo pouco, se expondo muito ao sol, se alimentando de forma inadequada. Ainda não existe um medicamento capaz de curar o herpes.

HPV

O que é HPV ?

HPV ou crista de galo é um tipo de DST que aparece nos genitais causadas pelo Papiloma Vírus Humano (HPV), que pode se transmitir durante qualquer tipo de contato sexual. As verrugas que crescem em torno dos órgãos genitais e ânus, são geralmente indolores podendo causar coceira e sangramento quando se tenta arrancá-las.

O que é e quais são os sintomas do Condiloma ou crista de galo ?

Também chamado de Condiloma Acuminado ou “crista de galo” é uma DST que aparece como uma ou mais verrugas nos genitais, que não doem mas podem, na mulher, crescer muito durante a gravidez. Essa doença tem relação com o aparecimento e desenvolvimento do câncer do útero.

Como curar o Condiloma ou crista de galo ?

Só o médico pode diagnosticar e dar o tratamento correto. Tem gente que faz tratamento por conta própria, aplicando diferentes substâncias, o que pode ser muito perigoso pois essas substâncias são, em sua maioria, cáusticas, podendo provocar queimaduras e feridas graves. Complicações: na mulher as verrugas não tratadas podem causar câncer de colo de útero. Nas mulheres grávidas as verrugas crescem muito se espalhando rapidamente por toda vulva e períneo podendo causar obstrução do canal do parto.

Quais são os cuidados quando se está doente ?

· Manter a higiene local, cuidando para não coçar a região afetada o que iria disseminar estas lesões para outras partes do corpo;
· Não se deve cortar as verrugas ou fazer qualquer tratamento por conta própria. Só aceite tratamento prescrito por médicos.

Sífilis

O que é Sífilis?

É uma DST causada por uma bactéria (Treponema pallidum) que é capaz de infectar qualquer órgão ou tecido. O agente causador da sífilis entra no organismo através de pequenas lesões na pele ou mucosas ou pela corrente sanguínea.

 

O que é cancro duro?

Cancro duro é a primeira fase da sífilis, é a ferida que aparece nos órgãos genitais de 10 a 30 dias depois do contágio (pelo contato sexual). A ferida da sífilis não dói, não coça, não arde e às vezes pode aparecer também dentro da boca por causa do sexo oral (é como uma afta que não dói). Essa ferida desaparece sozinha depois de aproximadamente 10 dias, mas a doença continua a progredir e continua sendo transmitida.

Quais os sintomas da sífilis?

Na primeira fase, a sífilis aparece como uma ferida (no ânus, na vulva, na boca, no pênis) que não arde, não dói, não tem pus, não sangra, não cheira mal, porém esta ferida é muito contagiosa. A ferida desaparece sozinha depois de aproximadamente 10 dias, mas isso não quer dizer que a pessoa se curou da sífilis, e sim que a doença passou para o sangue. Depois de 2 a 3 meses que a ferida desapareceu, aparecem manchas avermelhadas em toda a pele, principalmente na palma da mão e na planta do pé; pode ocorrer queda do cabelo. Se a sífilis, não for tratada, depois de alguns anos, pode afetar o cérebro, o coração e outros órgãos.

Existe algum exame de sangue para a sífilis?

Existe e é chamado de VDRL. Este exame é muito fácil de ser feito e está disponível na maioria dos centros de saúde de forma gratuita.

O que é sífilis congênita?

Quando a mulher grávida tiver sífilis e não for tratada adequadamente, pode infectar o bebê causando-lhe a sífilis congênita, que pode trazer as seguintes conseqüências: cegueira, problemas ósseos, retardamento mental, pneumonia, feridas no corpo, dentes deformados. A maior parte dos abortamentos espontâneos (quando a gestante perde o bebê e não sabe por que) são causados pela sífilis na gravidez.

Gonorreia

O Que é Gonorréia ?


É uma doença infecto-contagiosa que causa um corrimento (secreção) purulenta na uretra do homem e da mulher. Com freqüência causa uma coceira na uretra e uma ardência na hora de urinar. Nas mulheres estes sintomas são mais

brandos.

Ela é perigosa ?

Se não tratada ela pode gerar abortos espontâneos, parto prematuro, infertilidade, meningite, miocardite, gravidez ectópica (o feto fica fora do útero), entre outras.

Ela pode ser tratada ?

Existem antibióticos que conseguem acabar com a Neisseria gonorrhoeae, que é a bactéria causadora da Gonorréia. Basta procurar um posto de saúde e o médico os indicará.

Como ela é transmitida ?

Ela é transmitida pelo ato sexual sem prevenção. Apenas uma transa com o parceiro contaminado é suficiente para se contrair essa doença. É importante lembrar que algumas vezes a Gonorréia pode ser inicialmente assintomática e,
portanto, o fato da pessoa não apresentar sintoma nenhum não é garantia de que ela esteja livre da doença. Daí a enorme importância da prevenção.

Como prevenir ?

A única prevenção eficiente para essa doença é a prática do sexo seguro, ou seja, com o uso da camisinha. Ter uma vida sexual saudável também é importante. Fazer sexo indiscriminadamente com diversos parceiros aumenta consideravelmente a probabilidade de se contrair, não só gonorréia, más as diversas outras doenças que apresentamos nesse site.

Infecções

URETRITE

É a designação genérica para processos inflamatórios ou infecciosos da uretra (canal que conduz a urina da bexiga para o meio externo, ao urinarmos) masculina e feminina. Os sintomas da uretrite compreendem: a descarga uretral (secreção) que varia de acordo com o agente etiológico, desconforto urinário sob forma de ardência e/ou dor para urinar e às vezes sensação de “coceira” na parte terminal da uretra (perto do meato urinário na glande peniana). Estes três principais sintomas podem variar de intensidade de acordo com a doença. As uretrites inflamatórias (sem a participação de germes), em grande parte, são originadas pelo trauma externo, como por exemplo o hábito de ordenhar a a uretra após urinar, ou hábito masturbatório, lembrando aqui que a uretra é uma estrutura bastante superficial e sensível. O trauma interno, como aquele que ocorre após manipulação com instrumentos ou sondas, também pode originar uma uretrite inflamatória, que deverá receber tratamento sintomático adequado.

As uretrites infecciosas são doenças sexualmente transmissíveis (DST), que é o nome atualmente aceito para as antigas doenças venéreas, termo este empregado no passado, quando blenorragia (gonorréia) e sífilis dominavam o cenário das DST. Ainda deste conceito temos a classificação das uretrites infecciosas, como uretrite gonocócica e não-gonocócica. A gonocócica, como diz o termo, é a causada pelo gonococo (N. gonorrhoeae) e as não-gonocócicas são mais comumente causadas por um dos germes a seguir: clamidia, micoplasma e ureaplasma. A uretrite gonocócica produz extremo desconforto uretral, com dor, ardor, urgência urinária e secreção abundante, esverdeada, que suja a roupa íntima do(a) portador(a). Já as demais uretrites, podem ter sintomatologia escassa, com pouca ou nenhuma secreção no início da doença. Um dos sintomas mais comuns, é o misto de ardência para urinar com coceira após urinar. Na suspeita deste tipo de uretrite, devem ser realizados exames laboratoriais para se tentar descobrir o germe responsável. Uma história detalhada e um exame físico minucioso devem ser realizados.

Muitas uretrites inadequadamente tratadas podem evoluir para complicações mais sérias, como uma cervicite e doença inflamatória pélvica na mulher ou orquite, epididimite ou prostatite no homem. Na maior parte das vezes o urologista vai preferir tratar o casal, mesmo que o(a) parceiro(a) não apresente sintomas importantes. Como sequelas das complicações das uretrites mal conduzidas, podemos citar infertilidade e as estenoses de uretra.


CANDIDÍASE

É a infecção causada pela Cândida albicans, e não é obrigatoriamente uma DST. No homem, balanopostite ou postite por cândida e na mulher, vaginite ou cervicite por cândida. É um fungo que habita normalmente nosso organismo, tendo a função de saprófita (alimenta-se de restos celulares) no aparelho genital. Como qualquer outra micose, gosta de ambientes quentes e úmidos, como a vagina e o prepúcio. No homem, o microtraumatismo peniano que resulta de uma relação sexual pode ser o suficiente para desencadear o processo de instalação de uma balanopostite por cândida, que com certeza vai incomodar seu portador. Surge já nas primeira horas uma ardência ao contato com secreção vaginal ou à própria urina, bem como a pele torna-se avermelhada, brilhante e friável (descama com facilidade ao toque) com um prurido (coceira) intensa.

Na mulher, o sintoma mais importante é o prurido vaginal ou dos lábios da vulva, seguido ou não por secreção vaginal (corrimento) branco. No período menstrual, como há intensa descamação do endométrio e perda de sangue (células mortas), há um aumento da população da cândida (e outros saprófitas), pois há uma quantidade maior de restos celulares a serem removidos do organismo. Também, o uso prolongado de antibióticos, que não agem sobre os fungos, pode fazer uma seleção destes, aumentando sua população no organismo (por exemplo, sapinho). O contato sexual nestes dias pode resultar em candidíase em ambos os sexos. A excessiva população de cândida acidifica ainda mais o ph vaginal, que é o que causa a dor e a ardência genital em ambos os sexos.

A queixa pode surgir de qualquer dos sexos e como dito acima, é a cândida uma habitante normal de nosso organismo, desde que não nos agrida. Portanto, não há a menor possibilidade de erradicá-la definitivamente, uma vez que a adquiriremos novamente horas após, pela dieta, pelo ambiente, convívio social, sexual, etc. O tratamento visa principalmente alívio para os sintomas e diminuir a população do fungo a uma quantidade que não agrida nosso organismo. O tratamento do casal é imperativo e medidas higiênicas adequadas devem ser adotadas para seu controle efetivo. Em alguns homens portadores de diabetes, pode ser necessária a remoção cirúrgica do prepúcio (circuncisão), como uma medida profilática à balanopostite por cândida. Ainda, o uso inadequado de absorventes ou duchas vaginais possuem papel importante na recidiva da candidíase da mulher.

AIDS

O que é AIDS ?

A palavra AIDS significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, que é uma doença resultante da infecção pelo HIV (vírus da Imunodeficiência Humana). Ele ataca e destrói as defesas do corpo, levando a pessoa à morte.

Como se pega o vírus da AIDS ?

* Fazendo sexo vaginal sem preservativo;
* Fazendo sexo anal sem preservativo;
* Fazendo sexo oral sem proteção;
* Recebendo sangue contaminado numa transfusão;
* Compartilhando seringas através do uso de drogas injetáveis da mãe para o filho (na gestação, parto ou amamentação).


Como não se pega AIDS ?

* Bebendo no mesmo copo;
* Usando a mesma toalha;
* Abraçando e beijando;
* Pela picada de insetos;
* Usando a mesma piscina;
* Usando banheiro público.


Como evitar a AIDS ?


* Usando camisinha em qualquer tipo de relação sexual (anal, oral ou vaginal), seja homem com mulher, homem com homem ou mulher com mulher;
* Não compartilhando agulhas ou seringas;
* Só recebendo transfusão de sangue quando for testado;
* Evitando contatos com objetos perfuro-cortantes não esterilizados.


Como fazer sexo sem risco ?

A única forma de não correr riscos em uma relação sexual é usar sempre e corretamente a camisinha. A AIDS não tem cura nem vacina preventiva, por isso, a camisinha é a única proteção contra o HIV.


O QUE SIGNIFICA NEGATIVO E POSITIVO, NO TESTE ANTI-HIV ?

O resultado negativo indica que até aquele momento a pessoa não está com anticorpos contra o vírus da AIDS, detectáveis no exame. Se houver situação de exposição ao risco para o vírus da AIDS, o teste anti-HIV deve ser repetido após 6 meses (evitando, é claro, expor-se aos riscos nesse período). Esse é o tempo que o organismo leva para produzir os anticorpos após a infecção.O teste não dá imunidade contra a doença. O resultado positivo indica que a pessoa está infectada pelo HIV e pode passá-lo para outras pessoas. Teste positivo não significa que a pessoa esteja doente de AIDS. Ela pode ser apenas uma portadora do vírus. Diz-se que uma pessoa tem AIDS quando apresenta os sintomas da doença.

A História da Camisinha (preservativo / codom de vênus)

As doenças sexualmente transmissíveis (DST) e o aparecimento da AIDS influenciaram de maneira decisiva a sexualidade humana durante o século XX. Até então, essa era uma questão tratada com reservas e pudor pela saúde pública. O vírus HIV forçou uma mudança sem precedentes. Dentro desse contexto, falar sobre sexo (independentemente da escolha de cada um), promiscuidade e, principalmente sexo sem proteção, virou uma obrigação dos profissionais da saúde, dos educadores e dos pais.

A prevenção da gravidez indesejada e das doenças sexualmente transmissíveis sempre fizeram parte das civilizações urbanas. A cidade trouxe consigo a necessidade de planejar o crescimento, a produção de alimentos, a disponibilidade de moradia. O nascimento de filhos fora da união oficial sempre foi motivo de escândalo social. Tudo isso levou à criação de métodos capazes de evitar a gravidez, sem, no entanto, furtar o prazer do ato sexual.

A prevenção das DST e da gravidez indesejada em nossas mãos. Os chineses foram os criadores da primeira versão do preservativo: envoltórios de papel de seda untados com óleo. Os japoneses também possuíam hábito semelhante. Desde 1850 a.C. os egípcios utilizavam métodos contraceptivos. As mulheres colocavam em suas vaginas uma série de produtos para bloquear ou matar os espermatozóides. Elas utilizavam fezes de crocodilos (por possuírem pH alcalino, tal qual os espermicidas modernos), gomas e uma mistura de mel e bicarbonato de sódio. Os homens utilizavam protetores para o pênis, confeccionados em linho ou a partir de intestinos de animais. Tais protetores, porém, não possuíam função contraceptiva: funcionavam como estojos.

Eles protegiam o pênis contra galhos e picadas de insetos durante as caçadas.

Protetores para o pênis no Egito Antigo. Serviam proteger o pênis contra galhos e picadas de insetos durante as caçadas. A mitologia grega apresentou a camisinha para o Ocidente. O rei Minos, filho de Zeus e Europa, era casado com Pasiphë. O monarca era conhecido por seu amor pelas mulheres e suas inúmeras amantes. Por obra de Pasiphë, Minos passou a ejacular serpentes, escorpiões e lacraias, que matavam todas aquelas que se deitasse com o soberano. Pasiphë era imune ao feitiço aplicado a Minos, mas este tornou o rei incapaz de procriar. Minos, no entanto, se apaixonou por Procris. Para evitar que a relação com Minos lhe trouxesse a morte, Procris introduziu em sua vagina uma bexiga de cabra. Os monstros ficaram aprisionados na bexiga e Minos voltou a poder ter filhos.

Procris (Piero di Cosimo, 1510). O sêmen do rei Minos, filho de Zeus, era povoado por serpentes, escorpiões e lacraias que matavam suas amantes. Procris teve a idéia de introduzir uma bexiga de cabra em sua vagina para se
proteger. Nasceu a camisinha. Durante o século XVI a disseminação das doenças sexualmente transmissíveis assolava a Europa. Nessa época elas eram chamadas de doenças venéreas. Esse nome faz referência às sacerdotisas dos templos de Vênus, que exerciam a prostituição como forma de culto à Deusa do Amor. Foi quando o anatomista e cirurgião Gabrielle Fallopio confeccionou o que descreveu como uma “bainha de tecido leve, sob medida, para proteção das doenças venéreas”.

Tratava-se de um forro de linho do tamanho do pênis e embebido em ervas. Ele a denominou De Morbo Gallico, em um artigo escrito em 1564. Shakespeare denominou-a “luva de Vênus”. No final do século XVI os preservativos de linho
passaram a ser embebidos em soluções químicas e depois secados. Eram as precursoras dos espermicidas modernos. No século XVII, um médico inglês conhecido como doutor Condom, alarmado com o número de filhos ilegítimos de Carlos II da Inglaterra (1630-1685), criou para o rei um protetor feito com tripa de animais.

Em inglês, camisinha é “condom”, em referência a esse médico. Outro episódio contribuiu para a difusão da camisinha. Ao final da Guerra da Sucessão Espanhola, líderes das principais nações européias reuniram-se na cidade de Utrecht (1713-1714). Tal evento chamou para o local toda a sorte de donzelas, ávidas em proporcionar diversão aos congressistas e desejosas por conseguir algum dinheiro. Mas traziam consigo algo já bem conhecido da ciência européia: doenças venéreas. Um criativo artesão local teve uma idéia: costurou na forma de uma bainha anatômica um ceco de carneiro e obteve, assim, um preservativo.

O temor em relação às doenças venéreas tinha uma importante justificativa: os recursos terapêuticos eram muito pouco eficientes. Doenças como a sífilis eram praticamente incuráveis. A sífilis foi a AIDS da época. Indivíduos contaminados caminhavam para morte, sempre rodeados por todo o tipo de preconceito. A cura para a sífilis (penicilina) foi obtida apenas na segunda metade do século XX.

A expressão preservativo apareceu pela primeira vez nos anúncios das casas de prostituição de Paris, em 1780:

“Nesta casa fabricam-se preservativos de alta segurança, bandagens e artigos de higiene.” Ela foi logo substituída por uma expressão curiosa, redingote anglaise, que queria dizer “sobretudo inglês”, o que equivaleria hoje ao termo “camisa-de-vênus” ou mais intimamente falando, “camisinha”.

Gabrielle Fallopio e sua invenção: a ‘luva de Vênus’, nas palavras de Shakespeare.

Camisinha de vísceras animais (ceco, bexiga,…) do século XVIII.

Nobres se divertem com camisas-de-vênus no século XVIII. A sífilis assombrou a Europa a partir do século XVI e atingiu grandes proporções ao longo dos séculos. Campanhas de prevenção foram detonadas. O tratamento medicamentoso para a doença apareceu apenas na segunda metade do século XX. Em 1839 Charles Goodyear descobriu o processo de vulcanização da borracha. A vulcanização consiste na transformação da borracha crua em uma estrutura elástica resistente. Isso permitiu a confecção de preservativos de borracha. Esses eram grossos e caros. Eles eram lavados e utilizados diversas vezes, até que a borracha arrebentasse.

A evolução surgiu com as camisinhas de látex, a partir de 1880. Em 1901, a primeira camisinha com reservatório para o esperma apareceu nos Estados Unidos. As camisinhas de látex adquiriram popularidade apenas a partir da década de 30. Cerca de um milhão e meio de camisinhas foram comercializadas nos Estados Unidos, em 1935.

Nas décadas seguintes, a camisinha foi caindo em desuso, principalmente após a descoberta da pílula anticoncepcional, na década de sessenta. Mas o aparecimento da AIDS, na década de oitenta, mudou para sempre a mentalidade mundial: a contaminação de indivíduos pelo vírus HIV, causador da doença, dava-se por meio de contato sexual ou transfusão sanguínea. Falar abertamente sobre sexo seguro e uso injetável de drogas passou de tabu à necessidade e obrigação. A camisinha passou ser a grande arma desse esforço preventivo. E ainda hoje é!

A camisinha é a única capaz de reunir em um único método a prevenção da gravidez indesejada e das doenças sexualmente transmissíveis. Desse modo, permite relacionamentos sexuais seguros e minimiza o efeito da exposição a fatores de risco sofridos por um dos parceiros. A camisinha protege e respeita a escolha e os desejos sexuais de cada um. Com o advento da AIDS as camisinhas voltaram a ser comercializadas em grande escala. Estima-se que hoje mais de cinco bilhões de camisinhas são consumidas anualmente. As apresentações também se diversificaram. Há camisinhas de tamanhos, espessuras e cores diferentes. Há camisinhas aromatizadas. Camisinhas com textura externa para potencializar o desejo sexual na mulher. Em alguns casos de ejaculação precoce, a camisinha pode ser utilizada com sucesso para aumentar o tempo de ejaculação.

Fonte – Hospital Albert Einstein

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