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CRIANDO NOVAS TECNOLÓGIAS EM MEDICINA
Data: 26/09/2006

Todos estudantes, após a graduação, sabem o que querem nos primeiros anos atuando como profissionais. Entram em um mercado de trabalho concorrido e nem sempre ético nesta concorrência. Sonham com sua independência financeira, com seu consultório, carro novo e apartamento. A principio acreditam que o aprendizado que tiveram na faculdade é suficiente para proporcionar esta segurança e o modelo de vida imaginado. Na realidade a maioria com o passar do tempo, encontra um ponto de equilíbrio, com o qual cede um pouco com as suas pretensões iniciais e passa a acreditar que o mercado realmente está muito difícil e injusto e deve se contentar com o pouco que já conquistou. Nesta categoria se encontram a grande maioria dos profissionais. Outros, um grupo mais reduzido, e mais resistentes, passam a procurar tudo que há de novo e tentam estar sempre apreendendo e oferecendo a sua comunidade os avanços recentes da medicina, esperando com isto vencer e se posicionar em vantagem com seus concorrentes. Este caminho às vezes se torna difícil por ter que estar sempre tentando adquirir novas tecnologias que foram desenvolvidas em grandes centros e viabilizar economicamente esta assimilação. Está é sem dúvida uma tarefa árdua no Brasil, principalmente quando vivemos momento de extrema instabilidade e insegurança, tornando praticamente impossível qualquer tipo de planejamento para médio e longo prazo.

Finalmente um terceiro e pequenos grupos de profissionais, são os sonhadores. São aqueles que realmente amam sua profissão e não aceitam as limitações impostas pela presença tecnológica do momento. São eternos insatisfeitos e obsessivos. Estão sempre imaginado que o que existe pode ser feito de uma outra maneira mais eficaz e diferente. Não aceitam em hipótese alguma o impossível. Para estes profissionais o impossível é na realidade somente o que ainda não foi feito. A compensação financeira não é o principal objetivo em suas carreiras. Os profissionais da Materbaby – Reprodução Humana e Genética se encontram neste grupo. A clinica que nasceu de um pequeno consultório a vinte anos, vem sempre em busca de seus sonhos. Naturalmente uma grande porcentagem destes sonhos permaneceram como tal. Porém, outros se tornaram realidade. Começou com a remodelação total da abordagem ao pré-natal, tornando o acompanhamento do casal em gestação iterativa e participativa, inclusive durante o nascimento do bebê. Isto foi a 18 anos e permanece ainda em vanguarda. Na área de Reprodução Humana, o inconformismo com a menopausa precoce em uma paciente de 28 anos de idade, nos levou a um trabalho de pesquisa de quatro anos que culminou na primeira gestação de mulher em menopausa da América Latina e terceira do mundo. Alguns anos mais tarde, perante outro desafio, onde uma paciente gestante de quatro meses, foi verificado obstrução na uretra do bebe, impossibilitando que sua urina escoasse para a bolsa de água. O futuro desta criança seria sombrio. O inconformismo fez com desenvolvêssemos uma cirurgia que resolvesse o problema com o bebê ainda dentro do útero. Esta cirurgia nos consagrou com um prêmio de reconhecimento pela Sociedade Americana e Canadense de Medicina Reprodutiva.

Agora, estamos vivendo um outro grande momento. A nossa mais recente pesquisa foi direcionada para recuperar a fertilidade e sexualidade de mulheres que necessitam ser submetidas à radioterapia. Esta pesquisa nasceu quando uma de nossa crianças de fertilização in-vitro, foi acometida por leucemia aos seis anos de idade. Antes do transplante de medula, o qual foi realizado com sucesso, ela foi submetida a radioterapia. Este tratamento destruiu totalmente seus ovários. A pequena menina se livrou da leucemia, porém, teve sua vida reprodutiva e sexualidade comprometida para sempre. Nesta caminhada tivemos muitas alegrias, uma delas foi e engajamento de três estudantes de medicina da nossa Universidade, que cursam o segundo ano. Três jovens que aderiram ao projeto, Rogério, Rafael e Alecsander, sem nenhum tipo de interesse, a não ser o de aprendizado. A participação de profissionais de excelência tais como os da Clinica de Radioterapia Sant’Ana, Laboratório da Patologia Lapan, Laboratório São Camilo, departamento de veterinária da Universidade Cesumar , Prof. Dr.Carlos Edmundo e Dr Jandir Morandini também foram essenciais para a realização do projeto. A Materbaby – Reprodução Humana e Genética depois de cinco anos de tentativas e graças a colaboração destas pessoas e entidades, criou um modelo de transplante de tecido germinativo, já com resultados comprovados em animais, que possibilita recuperar a fertilidade e sexualidade nestas pacientes, que até então não tinham nenhuma alternativa. O trabalho foi submetido à avaliação da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva e foi indicado para apresentação à comunidade cientifica internacional e concorrer ao primeiro premio do evento, outubro próximo em Seattle ns EUA.

Todos este trabalho consumiu tempo e recursos sem retorno e sem nenhum tipo de certeza que realmente daria certo. A felicidade da vitória não tem preço ou tradução. Às pessoas que acreditaram em nós, fica nosso eterno agradecimento, principalmente à pequena menina que acendeu a chama da insatisfação e a manteve até o sucesso.

Agradeço a Deus a oportunidade de ser medico e a sua presença constante. Às pacientes que as vezes não consegui suprir suas necessidades, minhas desculpas pelas limitações que ainda tenho.